Falecimento do Professor Dr. Rui Ribeiro Franco

É com grande pesar que comunico o falecimento em São Paulo, no dia 20 de fevereiro, do Prof. Dr. Rui Ribeiro Franco.

Logo após começar a colecionar minerais, em 1961, visitei o Museu de Mineralogia da então chamada “Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da U.S.P.”, situado na Alameda Glete, 467, e aquilo foi uma descoberta que incendiou a minha paixão pelos minerais; passei então a freqüentar quase que semanalmente o Museu, e tomei conhecimento da existência da Associação Brasileira de Gemologia, cuja sede era no mesmo local e era dirigida pelo Prof. Rui. Ele então soube da existência do nosso “Clube de Ciências Campo Belo”, que eu dirigia, e passou a incentivar nossa iniciativa até que, em 1968, decidimos fundir as 2 entidades, transformando-as na “Associação Brasileira de Gemologia e Mineralogia”. Nesta época o Museu de Mineralogia foi mudado para a Cidade Universitária e temporariamente encaixotado, e a sede da nova Associação ( ABGM ) foi transferida para a Rua Álvares Machado, no centro da cidade.

Juntamente com dezenas de colaboradores ( vou citar apenas alguns nomes, por favor me desculpem os que porventura omitir: Ulrich Bobrik, José Osmir França Guimarães, Vitor Estéfano, Darcy Svisero, Eduardo Kesselring, Vladimir Aps, Joaniel Martins, Roberto Del Carlo, Israel Henrique Waligora, Ludovico Balogh, Janis Rudzitis, Alberto Blume, Severino Bandamento, Oscar Landmann, Elio Rosso, Nelson Caovilla, Dimitri Paraskevopulos, muitos outros…! ) o Prof. Rui continuou sendo o líder e mentor intelectual da entidade: uma vez por mês fazia uma palestra, sempre com o auditório lotado, onde discorria sobre algum tema ligado à Mineralogia e ou à Gemologia, em linguagem que os presentes ( quase todos apreciadores dos minerais mas sem formação científica ) podiam compreender; semestralmente dava aulas nos cursos de Gemologia, e a cada 3 meses participava das excursões para coleta de minerais no campo, onde pacientemente explicava, sempre em linguagem compreensível, as características mais interessantes das rochas, minerais ou fósseis encontrados nas pedreiras que visitávamos.

Estas foram as características mais marcantes da personalidade do Prof. Rui durante o período em que tivemos a felicidade de com ele conviver: sua dedicação em divulgar a Mineralogia e a Gemologia ao público em geral, sacrificando parte de seu tempo para dedicá-lo às atividades da ABGM, e sua rara habilidade em fazê-lo em uma linguagem acessível ao público que ele queria atingir.

Foi então com enorme satisfação que recebi a sugestão dos Prof. Daniel Atêncio e José Moacyr Vianna Coutinho de darmos o nome “Ruifrancoita” a um novo mineral que eu havia descoberto no campo em dezembro de 2002 e eles haviam concluído tratar-se de uma nova espécie mineral; o Daniel Atêncio foi aluno do Prof. Rui, o Moacyr Coutinho seu colega de trabalho na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e na diretoria da Associação Brasileira de Gemologia, e eu devo ao Prof. Rui o apoio que recebi para continuar me dedicando aos minerais. A ruifrancoita é um fosfato de Fe3+, Ca e Be, foi descoberto na Lavra Proberil ( também conhecida como “Sapucaia pegmatite mine” ), em Galiléia, MG, foi aprovada como mineral novo pela I.M.A. sob o número 2005-061, e tornou-se oficialmente uma espécie nova ao ser publicada pela Canadian Mineralogist, Vol.47, pg. 1301-1311.

O Prof. Rui esteve lúcido e ativo até seu falecimento no último dia 20/02, aos 91 anos. A ele minha mais sincera homenagem e o meu agradecimento pelo grande apoio e exemplo que ele me deu.

Luiz Alberto Dias Menezes Filho

3 ideias sobre “Falecimento do Professor Dr. Rui Ribeiro Franco

  1. marcos caovilla

    Grande ser humano que me ensinou tanto quanto o meu pai, meus respeitos aos dois, que alias devem estar juntos agora conversando sobre gemas, obviamente.

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  2. Luiz Menezes

    Caro Marcos:

    Foi com grande satisfação que li seu comentário; conforme você pode ver no meu texto não esqueci de seu pai, que foi também uma pessoa muito importante para minha formação, como apaixonado pela Gemologia e pelo seu caráter e equilíbrio, tendo nos auxiliado muito, a mim aos meus jovens colegas, a filtrar entre as idéias que tinhamos e as iniciativas que pretendiamos tomar quais eram as viáveis, evitando que desperdiçassemos nossa energia em projetos infactíveis. Com certeza seu pai Nelson está agora no Céu com o Dr. Rui colocando em dia suas conversas sobre gemas e minerais.

    Grande abraço

    Luiz Menezes

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  3. Sylvia de frança Guimarães

    Luiz Alberto, há qto tempo! Me deparei com esta sua homenagem ao grande Mestre, pessoa ilustre, Prof Rui. E agradeço tb a menção ao meu pai. Acho que as reuniões da ABMG lá no céu devem estar bem animadas, como nos velhos tempos…

    Abs,
    Sylvia

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