Identificações erradas e fraudes – capítulo 3

Uma fraude clássica é a colagem de cristais de diamante e/ou de pequenos grãos de ouro no conglomerado, que são vendidas para colecionadores incautos ou para turistas como sendo peças naturais. Abaixo temos um exemplo típico – a primeira foto mostra a peça inteira, e as demais as montagens em detalhe. Ao clicar nas fotos, elas poderão ser visualizadas em tamanho maior.

diamante 001 detalhes

Conglomerado com ouro e diamante colado

diamante 001a detalhe

Detalhe do diamante colado

Ouro colado

Ouro colado em destaque

Tanto o diamante como o ouro são encontrados naturalmente nos conglomerados na região da Serra do Espinhaço e adjacências, que se estende do centro ao norte de Minas Gerais. São rochas metamórficas muito antigas, com mais de 1 bilhão de anos de idade, que contêm o resultado da erosão de rochas pré-existentes, inclusive kimberlitos, gerando rochas sedimentares que continham os diamantes, essas rochas desceram na crosta terrestre, e por ação de alta pressão e temperatura se transformaram em rochas metamórficas (quartzitos e meta-conglomerados); essas camadas voltaram posteriormente a se elevar, chegaram de volta à superfície e  foram então novamente erodidas, liberando os diamantes e o ouro (que não se originou em kimberlitos mas em outras rochas que sofreram o mesmo processo de erosão, transporte e metamorfização), gerando os ricos depósitos aluvionares que foram descobertos e intensivamente explorados nos séculos XVII e XVIII.  Na foto abaixo vemos uma excelente amostra  de diamante – um cristal natural, com ótima transparência.

Diamante - cristal natural

Cristal perfeito de diamante

É, portanto, possível encontrar grãos de ouro e/ou de diamante dentro dos conglomerados, mas devido ao colossal volume dessas rochas a chance de se encontrar a olho nu uma dessas amostras mineralizadas é extremamente baixa. Em nenhum garimpo nem em nenhuma mina industrial se tenta ver um ouro ou diamante na matriz, nos garimpos não se desagrega o conglomerado mas sim é processada rocha naturalmente desagregada, e nenhuma amostra é manuseada, o material é concentrado em bateias ou em “jigues” e o ouro e o diamante são concentrados gravimetricamente, os grãos que estiverem dentro do conglomerado vão ser certamente descartados junto com o rejeito da mina. Alguém pode até encontrar uma amostra nesses rejeitos, mas a chance é tão pequena que essas amostras legítimas deveriam ser extremamente raras.

Conglomerado com diamante colado

Conglomerado com diamante colado

Mas não é isso que acontece, existem em Diamantina e outras cidades da região verdadeiras linhas de montagem de ouro e diamantes nos conglomerados; alguns “artistas” (do mal!) colocam algumas vezes dois ou até mais cristais de diamante num mesmo conglomerado, ou então um cristal de diamante e ou grão de ouro, o que seria uma quase impossibilidade estatística de ser encontrado naturalmente. São peças, na minha opinião, desprovidas de qualquer valor, e não merecem pertencer a coleções de minerais sérias.

Diamante colado em conglomerado

Diamante colado em conglomerado

No último show de Tucson um comerciante americano tinha uma mesa cheia dessas amostras, com certeza (devido à quantidade) todas são fraudadas; um comerciante de Governador Valadares também adquiriu há poucos meses várias dezenas de peças, certamente também nenhuma é legítima.

Prezado assinante, caso você tenha uma peça dessas na sua coleção pode ter certeza de que ela deve ter sido montada. Recomendamos que ninguém compre esse tipo de material.

8 ideias sobre “Identificações erradas e fraudes – capítulo 3

  1. Eduardo

    Prezado Luiz Menezes, sou de Diamantina e já vi por lá estas montagens, infelizmente tem gente que acredita que são verdadeiras e compram.

    Responder
    1. Luiz Menezes Autor do post

      Caro Eduardo:

      Obrigado pelo comentário. Tenho o privilégio de poder ir a Diamantina praticamente uma vez por mês para comprar minerais, e nunca me canso de apreciar a fantástica paisagem da chapada; gostaria de ter mais tempo de ir aos garimpos, mas normalmente o tempo é curto e acabo apenas visitando meus fornecedores na cidade.

      Aos leitores do site que ainda não tiveram a oportunidade de ir à região, vocês não sabem o que estão perdendo!; Diamantina é Patrimôniio Cultural da Humanidade e além das incontáveis atrações turísticas e históricas é um dos principais produtores mundiais de quartzo, principalmente da variedade conhecida como quartzo “laser”, que são cristais finos e longos, com a base do prisma um pouco mais espessa e a terminação mais fina; além dessa variedade ocorrem lá também os chamados quartzos “phantom” (que exibem marcas de crescimento internas, paralelas às faces externas), quartzos com inclusões de clorita (com cores que variam do branco, bege, cinza, verde ou vermelho, e que são conhecidas localmente como “quartzo mofado” ou “lodolita”, nomes dos quais não gostamos), quartzo com inclusões de rutilo de cor alaranjada a vermelha, quartzo fumê; além desses quartzos, a região produz também excelentes cristais de rutilo e de anatásio.

      Aproveito a oportunidade para convidá-lo a visitar nosso escritório em Belo Horizonte.

      Atenciosamente

      Luiz Menezes

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *