Arquivos da categoria: Minerais de Coleção

Identificações erradas e fraudes – Capítulo 4 – Periclásio

IDENTIFICAÇÕES ERRADAS DE MINERAIS E FRAUDES

Capítulo IV – PERICLÁSIO

O periclásio é um óxido de magnésio, MgO. Cristaliza-se no sistema cúbico, normalmente sob a forma de octaedros, mas que raramente excedem 2 mm de comprimento.

A cor pode ser incolor, branco-acinzentada, amarela, amarela-amarronzada, verde ou preta; o brilho é vítreo, o índice de refração é relativamente alto (1,74); a dureza é 5,5 e a densidade é 3,56.

Os cristais exibem clivagem cúbica perfeita, de onde saiu o nome do mineral, derivado de uma palavra grega que significa “quebrar em volta”.

É um mineral relativamente raro, encontrado em calcários metamórficos magnesianos formados em ambiente de alta temperatura.

No site www.mindat.org, que é uma das melhores fontes de referência para quem busca informações sobre qualquer mineral, estão publicadas apenas 8 fotos de periclásios, o que mostra como o mineral é raro e normalmente não-fotogênico; a mais bonita é de um cristal verde, medindo 2 mm, proveniente da Suécia; todas as demais fotos são de cristais brancos ou cinza.

PERICLÁSIO SINTÉTICO

Há cerca de 10 anos surgiram no mercado amostras de periclásio de cor verde-maçã, transparentes, medindo até mais de 5 cm; foram vendidas como periclásio natural, supostamente provenientes de “um lugar secreto na Bahia”, e vários lotes foram lapidados e vendidos fraudulentamente como gemas naturais.

Periclásio sintético

O que apuramos é que a Magnesita S.A., que opera jazidas na região da Serra das Éguas, em Brumado, BA, e é a maior produtora de materiais refratários no hemisfério sul, importa periclásio sintético, de alta pureza, que é usado como padrão em seus laboratórios de análises químicas para controle de qualidade de seus produtos, e que alguém ou teria desviado peças do estoque da Magnesita ou feito uma importação direta com a finalidade de vender o material fraudulentamente como natural; essa é uma possibilidade plausível pois periclásio sintético nunca é encontrado numa feira internacional de minerais ou de gemas, assim sendo nenhum comerciante brasileiro ou estrangeiro teria a oportunidade de conhecer esse material e se sentir tentado a trazê-lo ao Brasil para fazer dinheiro fácil iludindo compradores incautos.

Periclásio sintético

É muito fácil distinguir um periclásio natural de um sintético: simplesmente não existem periclásios naturais de qualidade gemológica que meçam mais do que poucos milímetros, e devido à raridade do mineral e das características de suas ocorrências é extremamente improvável que algum dia peças maiores sejam encontradas

Pedras de coleção no 3° Salão Mineiro do Turismo

A Luiz Menezes Minerais, em parceria com o Sindijóias / Ajomig, está participando do 3° Salão Mineiro do Turismo, nos dias 16, 17 e 18 de abril  no Minascentro, região central da capital mineira.

Encontram-se em exposição no estande do nosso parceiro Sindijóias  várias pedras da coleção de Luiz Menezes, com foco naquelas produzidas do estado de Minas Gerais.

É uma oportunidade única de se ver amostras de beleza impressionante seja pelas formas naturais, seja pelas cores ou pela combinação de vários minerais em uma mesma peça, verdadeiras obras de arte esculpidas pela natureza.

Aos que estiverem em Belo Horizonte e forem apreciadores de minerais, não deixem de aproveitar a chance de ver amostras realmente únicas.

Identificações erradas e fraudes – capítulo 3

Uma fraude clássica é a colagem de cristais de diamante e/ou de pequenos grãos de ouro no conglomerado, que são vendidas para colecionadores incautos ou para turistas como sendo peças naturais. Abaixo temos um exemplo típico – a primeira foto mostra a peça inteira, e as demais as montagens em detalhe. Ao clicar nas fotos, elas poderão ser visualizadas em tamanho maior.

diamante 001 detalhes

Conglomerado com ouro e diamante colado

diamante 001a detalhe

Detalhe do diamante colado

Ouro colado

Ouro colado em destaque

Tanto o diamante como o ouro são encontrados naturalmente nos conglomerados na região da Serra do Espinhaço e adjacências, que se estende do centro ao norte de Minas Gerais. São rochas metamórficas muito antigas, com mais de 1 bilhão de anos de idade, que contêm o resultado da erosão de rochas pré-existentes, inclusive kimberlitos, gerando rochas sedimentares que continham os diamantes, essas rochas desceram na crosta terrestre, e por ação de alta pressão e temperatura se transformaram em rochas metamórficas (quartzitos e meta-conglomerados); essas camadas voltaram posteriormente a se elevar, chegaram de volta à superfície e  foram então novamente erodidas, liberando os diamantes e o ouro (que não se originou em kimberlitos mas em outras rochas que sofreram o mesmo processo de erosão, transporte e metamorfização), gerando os ricos depósitos aluvionares que foram descobertos e intensivamente explorados nos séculos XVII e XVIII.  Na foto abaixo vemos uma excelente amostra  de diamante – um cristal natural, com ótima transparência.

Diamante - cristal natural

Cristal perfeito de diamante

É, portanto, possível encontrar grãos de ouro e/ou de diamante dentro dos conglomerados, mas devido ao colossal volume dessas rochas a chance de se encontrar a olho nu uma dessas amostras mineralizadas é extremamente baixa. Em nenhum garimpo nem em nenhuma mina industrial se tenta ver um ouro ou diamante na matriz, nos garimpos não se desagrega o conglomerado mas sim é processada rocha naturalmente desagregada, e nenhuma amostra é manuseada, o material é concentrado em bateias ou em “jigues” e o ouro e o diamante são concentrados gravimetricamente, os grãos que estiverem dentro do conglomerado vão ser certamente descartados junto com o rejeito da mina. Alguém pode até encontrar uma amostra nesses rejeitos, mas a chance é tão pequena que essas amostras legítimas deveriam ser extremamente raras.

Conglomerado com diamante colado

Conglomerado com diamante colado

Mas não é isso que acontece, existem em Diamantina e outras cidades da região verdadeiras linhas de montagem de ouro e diamantes nos conglomerados; alguns “artistas” (do mal!) colocam algumas vezes dois ou até mais cristais de diamante num mesmo conglomerado, ou então um cristal de diamante e ou grão de ouro, o que seria uma quase impossibilidade estatística de ser encontrado naturalmente. São peças, na minha opinião, desprovidas de qualquer valor, e não merecem pertencer a coleções de minerais sérias.

Diamante colado em conglomerado

Diamante colado em conglomerado

No último show de Tucson um comerciante americano tinha uma mesa cheia dessas amostras, com certeza (devido à quantidade) todas são fraudadas; um comerciante de Governador Valadares também adquiriu há poucos meses várias dezenas de peças, certamente também nenhuma é legítima.

Prezado assinante, caso você tenha uma peça dessas na sua coleção pode ter certeza de que ela deve ter sido montada. Recomendamos que ninguém compre esse tipo de material.

Água-marinha na turmalina preta de Erongo, Namíbia

A mina de Erongo, na Namíbia, é um pegmatito famoso pela produção de águas-marinhas, turmalinas pretas (schorl), fluoritas (verdes e roxas), quartzos enfumaçados e do raríssimo mineral jeremejevita.

Água-marinha na turmalina preta

Produção recente

No último show de Munich, realizado entre 30/10 e 1/11, vários comerciantes estavam oferecendo belas amostras de água-marinha incrustadas em grupos de cristais de schorl encontrados recentemente em Erongo; o lote deve ter sido bem grande pois hava muitas centenas de amostras à venda, muitas a preços surpreendentemente acessíveis, o que nos permitiu adquirir várias e colocá-las aqui à venda, no que consideramos seja uma boa oportunidade para os prezados clientes.

Água-marinha na turmalina preta

Os cristais de turmalina preta são finos e longos e estão agrupados ao longo dos eixos dos prismas, formando grupos que são mais finos na base e se alargam na direção da terminação, e sobre eles estão incrustados os cristais prismáticos, finos e longos, de água-marinha de cor azul clara, bom brilho e terminação plana (pinacóide basal).

Água-marinha na turmalina preta

Turmalinas pretas

Embora este pegmatito não produza quantidades expressivas de águas-marinhas com valor gemológico, os cristais são muito apreciados pelos colecionadores devido ao fato de estarem frequentemente incrustados em matriz de quartzo enfumaçado, de albita e de schorl. As turmalinas pretas muitas vezes exibem um extraordinário zoneamento interno de cores, que só pode ser observado quando os cristais são serrados em seções finíssimas, perpendiculares ao eixo do prisma, quando então podem ser observadas zonas internas, com contornos geométricos, de cores azuis, roxas, verdes, marrons, laranja e amarelas, e que vão variando em seções consecutivas cortadas a partir do mesmo cristal. Sim, as fotos abaixo são seções de turmalinas pretas!!

seção de turmalinas pretas

Seção de turmalina - Madagascar

Seções tranversais de turmalinas pretas

Jeremejevita

Finalmente, a jeremejevita é um flúor-borato de alumínio, hexagonal, que em Erongo ocorre sob a forma de belos cristais finos e longos (normalmente muito pequenos) de cor azul; para que se interessa por raridades temos também 3 amostras de jeremejevita (muito pequenas) para venda.

jeremejevita


Mais uma vez gostaríamos de indicar o site mindat.org para aqueles que gostariam de mais infirmações sobre os minerais citados. Lá existem fotos de amostras muito bonitas de jeremejevita, entre outras informações relevantes.

Abraço e até a próxima!!

Identificações Erradas de Minerais E Fraudes – Segundo Capítulo – Espinélio

ESPINÉLIO

Uma das fraudes mais recentes no comércio de minerais é a tentativa de se vender grupos de cristais de espinélio sintético como sendo espinélio natural.

Vamos a seguir fazer uma descrição das diferenças fundamentais entre ambos os materiais, que permitem uma fácil detecção da fraude:

ESPINÉLIO NATURAL

Espinélio na Calcita – Tanzânia

O espinélio é um óxido de magnésio e alumínio, MgAl2O4; quando quimicamente puro seria incolor ( o que até agora não foi encontrado na natureza ), entretanto impurezas diversas podem torná-lo preto, azul, lilás, verde, marrom, rosado ou, a variedade mais nobre, vermelho ( nesse caso a cor se deve a impurezas de cromo ).

Espinélio – Tanzânia

Cristaliza-se no sistema cúbico, quase sempre sob a forma de octaedros, e é relativamente comum exibir geminação ( conhecida como “Lei do Espinélio, que se constitui de 2 octaedros achatados superpostos ). As figuras abaixo, extradas do livro “Manual of Mineralogy”, de Klein and Hurlbut, pg. 309, mostram 3 dos hábitos mais comuns:

Figura (a) – Octaedro


Figura (b) – Geminado “Lei-do-Espinélio”

Figura (c) – Octaedro combinado com Dodecaedro

A dureza é muito alta, 8,5, e o índice de refração também é relativamente alto, 1,719, resultando em gemas com muita “vida”.

Ocorre normalmente em rochas metamórficas ( normalmente calcários metamórficos, como a peça que abre a matéria ); o maior produtor mundial é Mianmar ( região de Mogok ), sendo outros importantes produtores mundiais o Sri Lanka, a Tanzânia, o Vietnã e Madagascar ; não por coincidência todos esses países são importantes produtores de rubis, pois ambos se formam nos mesmo ambientes geológicos: rochas metamórficas portadoras de traços de cromo onde variações químicas localizadas levam à formação do rubi ou do espinélio.

Espinélio – Mianmar

Também não por coincidência o Brasil, que não é produtor de rubis de valor gemológico, também não é produtor de espinélios vermelhos; o Museu de Mineralogia da USP possui em seu acervo minúsculos octaedros vermelhos de espinélio que foram recuperados como sub-produto do processamento de areias monazíticas, possivelmente da região de Guarapari, ES. A região de Canindé, RJ, produziu no início da década de 80, em matriz de calcário metamórfico, cristais translúcidos azuis-acinzentados de espinélio, com hábito combinado de octaedro e dodecaedro, medindo até cerca de 1 cm.

Espinélio Azul geminado – Lei do Espinélio – Tanzânia

O espinélio pertence ao chamado “Grupo do Espinélio”, constituído dos seguintes minerais ( os marcados em negrito são comuns ou pouco raros, os demais são muito raros ):

Brunogeierita – GeFe2O4
Cromita – FeCr2O4
Cocromita – CoCr2O4
Coulsonita – FeV2O4
Cuproespinélio – CuFe2O4
Espinélio – MgAl2O4
Franklinita – ZnFe2O4
Gahnita – ZnAl2O4
Galaxita – MnAl2O4
Hercynita – FeAl2O4
Jacobsita – MnFe2O4
Magnesiocromita – MgCr2O4
Magnesiocoulsonita – MgV2O4
Magnesioferrita – MgFe2O4
Magnetita – Fe2+Fe3+2O4

Manganocromita – MnCr2O4
Nicromita – NiCr2O4
Qandilita -Mg2TiO4
Trevorita -NiFe2O4
Ulvoespinélio – Fe2+2O4
Vuorelainenita – MnV2O4
Zincocromita – ZnCr2O4

Além do espinélio o único outro membro do grupo que pode apresentar valor gemológico é a gahnita, que se apresenta normalmente sob a forma de cristais octaédricos de cor verde, que podem ser raramente transparentes e produzir gemas de razoável valor.

ESPINÉLIO SINTÉTICO

O espinélio é um material fácil de ser sintetizado: há muitas décadas já era produzido sob a forma de cilindros com uma das extremidades menor, chamados de “peras” ou “boules” ( da mesma forma que os mais primitivos rubis sintéticos ), e que eram preferencialmente coloridos, através de adequada adição de impurezas, de forma a simular a cor da água-marinha; são falsificações grosseiras, que um gemólogo com um mínimo de experiência detecta facilmente, mas que podem estar sendo até hoje fraudulentamente vendidas a compradores incautos em postos de gasolina nas margens da Rio-Bahia na região de Governador Valadares, Teófilo Otoni, Catugi e Padre Paraíso ou mesmo em lojas de souvenirs nas grandes cidades brasileiras.

Não pretendemos nos estender sobre esse assunto (espinélio sintético como gema falsa), pois isso é sobejamente conhecido pelo mercado. Nosso foco é a falsificação como mineral de coleção ou cristal esotérico.

Assim como é fácil produzi-lo como gema sintética barata, temos constatado nos últimos anos vários casos de cristais de espinélio sintético que têm sido oferecidos como espinélios ( ou outros minerais ) naturais. É relativamente simples e barato produzir cristais de espinélio em fornos metalúrgicos, mas esses cristais podem ser facilmente distinguidos dos naturais pelas seguintes características:

– são falsificações grosseiras, portanto não compensa que seja gasto muito tempo ou tecnologia para produzi-las: o resultado é sempre um grupo de muitos cristais de espinélio, o que nunca vimos até agora ocorrer na natureza: assim como o rubi, o espinélio quase se sempre se forma como cristais isolados ou como grupos de 2 ou não mais de 3 cristais, enquanto que os sintéticos são grupos de dezenas de cristais crescendo em paralelo

– são sempre translúcidos a opacos, pois o processo de cristalização deve ser muito rápido ( caso contrário o custo de produção aumentaria muito )

– examinando-se o material com uma lupa podem ser vistas cavidades esféricas na superfície ( bolhas de ar ), ou pequenos acúmulos esféricos de material sobre as faces dos cristais.

– como os cristais se depositam sobre o fundo do forno normalmente a base deles é plana, o que não ocorre nos cristais naturais

As fotos abaixo ilustram um grupo de cristais de espinélio sintético (notem as bolhas de ar no canto inferior direito) :

A foto abaixo mostra claramente a base plana:

Gostaríamos de ilustrar este nosso alerta com 2 casos concretos recentes:

1 – No show de minerais de Tucson um comerciante brasileiro estava oferecendo vários grupos de cristais octaédricos de cor vermelho-granada; eu inicialmente levei um susto, pensei que se fossem naturais deveriam ser de espinélio, mas eu não havia visto nada semelhante nem no Brasil nem em nenhum outro lugar; examinei com a lupa e vi imediatamente as cavidades esféricas bem como os pequenos depósitos esféricos sobre algumas das faces dos cristais, e perguntei então a ele:

– Asdrúbal ( nome fictício ), que material sintético mais fajuto e horroroso é esse que você está vendendo?

e ele respondeu:

– Você tem certeza que é sintético?

– Tenho!

– Eu também desconfiei, mas o Napoleão ( nome fictício ) me devia uma grana e me deu esse material como pagamento, e eu tenho que tentar recuperar prejuízo

– Você está vendendo isso como?

– O Napoleão me disse que era uma granada rara, com a forma de “balãozinho”, e eu estou vendendo como “granada vulcanizada”!

Horror puro!; por favor acreditem, a história é verídica!

2 – Há 3 meses um fornecedor tradicional veio ao meu escritório em Belo Horizonte oferecer um lote de quartzos rutilados; após fecharmos o negócio ele tentou me vender um pequeno lote, que alguém havia dado a ele em consignação, constituído de grupos achatados de cristais pretos, formando um reticulado, parecendo à primeira vista grupos de cristais geminados de rutilo exibindo a chamada “geminação reticulada”; entretanto o brilho do rutilo, daquela cor, da região de Diamantina ( onde ocorrem esses geminados reticulados ) é mais metálico e a densidade do rutilo é 4,23, um pouco superior à do espinélio, 3,56; desconfiei e fui examinar o material sob o microscópio e constatei a presença de pequenos depósitos esféricos sobre as faces de alguns cristais, bem como minúsculas cavidades esféricas nas extremidades.

Perguntei então o preço do lote, e o Gumercindo ( nome fictício ) me disse que o garimpeiro que havia encontrado o “caldeirão” com o material queria 1000 dólares pelo lote, então eu disse a ele para dizer ao garimpeiro que deixasse de ser ladrão e fosse ganhar a vida honestamente, pois o material é sintético e não vale nada.

O material tem simetria octaédrica e é também um espinélio sintético. Abaixo fotos de duas amostras que eu guardei, bem como a de um grupo de cristais legítimos de rutilo com geminação reticulada.

Espinélios sintéticos

Rutilo Reticulado

Todo o cuidado é pouco, a banditagem corre solta!

Finalizando este assunto, recebemos recentemente um E-mail com um link para o site www.unicadomundo.com, oferecendo o que se diz ser “o maior espinélio do mundo!”; sugiro que os prezados amigos vejam atentamente o conteúdo e tirem suas próprias conclusões!

Mina de cobre de Morenci – Série "American Mineral Treasures"

A mina Morenci é atualmente a maior mina de cobre dos Estados Unidos, e tem produzido uma grande quantidade de excepcionais amostras de azurita e malaquita, entretanto o fato mais notável é que a Phelps Dodge Corporation, que a opera, assinou um contrato com uma empresa de comércio de minerais, em 1974, que ficou autorizada a coletar e comercializar as amostras, impedindo que elas fossem destruídas.

Esse contrato reverte a receita em benefício do Arizona Sonora Desert Museum, que portanto é patrocinado pela Phelps Dodge com os recursos obtidos com a comercialização dos minerais, modelo muito interessante que infelizmente não é utilizado por nenhuma empresa de mineração no Brasil, onde os minerais de coleção presentes nas minas são brutal e sistematicamente destruídos, devido à omissão e desinteresse de toda a comunidade mineral brasileira ( empresas de mineração, universidades, geólogos e engenheiros de minas ).

O texto da vitrine dizia o seguinte:

MORENCI MINE

A mina Morenci localiza-se no centro-leste do Arizona próximo à divisa com o Novo México; depósitos de cobre foram lá encontrados pela primeira vez em 1865 e os primeiros pedidos de lavra foram registrados em 1872; logo em seguida se iniciaram as atividades de mineração que exploraram inicialmente os ricos veios sub-superficiais de carbonatos de cobre. Desde então Morenci evoluiu a partir de umas poucas minas subterrâneas até o que hoje: a maior lavra a céu aberto e o maior produtor de cobre dos Estados Unidos.

Os primeiros tempos de Morenci não resultaram na recuperação de muitas excepcionais amostras de azurita e de malaquita, embora elas certamente estivessem disponíveis para coleta durante as operações de lavra, até que, em 1974, a Phelps Dodge Corporation assinou um contrato de coleta de minerais, terceirizando essa operação, o que permitiu que a partir daí que Morenci se tornasse conhecida como importante produtor de espécimes minerais e de material para lapidação; durante os 33 anos seguintes a “Southwestern Mineral Associates” coletou a maioria das amostras que foram ofertadas ao mercado – a vasta maioria dos quais de outra maneira teria sido destruída nos britadores de minério o nas pilhas de lixiviação de minério de baixo teor”

As amostras mais importantes expostas naquela vitrine estão mostradas nas fotos abaixo:

Estalactite de Azurita, 14,7 cm, com Malaquita na sua base – é ao nosso ver a peça mais espetacular de todas as expostas naquela vitrine, pertence à coleção de Stan Esbenshade, foi coletada em 1985 na bancada 4650 na Copper Mountain área.

Estalactite de Malaquita recoberto por cristais de Azurita, 11,9 cm – outra peça absolutamente única, “killer”, pertence à coleção de Les e Paula Presmyk

Estalactites de Azurita sobre Malaquita, 12 cm de altura – pertence à coleção de Stan Esbenshade, foi coletada em 1986 na bancada 4650 da Copper Mountain area.

Estalactites de Azurita sobre Malaquita, 15,3 cm de altura, encontrada na bancada
4650 da Copper Mountain área, pertence à coleção de Bob Jones.

Detalhe da Vitrine, com as peças das Fotos 3, 4, 5 e 6, além de vários grupos de cristais de azurita.

Seção de um Estalactite de Malaquita intercrescido com Azurita, 4,5 cm de largura – esta peça espetacular tem uma longa história: Herb Obodda adquiriu-a nos anos 1960 do famoso comerciante Larry Conklin, que a havia obtido há pouco numa troca com o American Museum of Natural History, de New York; ela tinha sido adquirida por George Kunz numa viagem ao Arizona em 1884. Kunz vendeu-a, através da Tiffany & Co., para J. Pierrepont Morgan, e foi incluída na exibição “American Gems”, que recebeu a medalha de ouro na 1889 Exposition Universelle em Paris. Esta amostra foi exibida na página central do livro “Gemstones of North América”, de Geroge Kunz, editado em 1890.

Vários cabochões de Azurita com Malaquita, pertencentes a Stan Esbenshade – a mina Morenci produz as mais belas combinações de azurita com malaquita para fins gemológicos.

Quem quiser saber mais detalhes sobre a mina, a vitrine, as amostras e o show de minerais de Tucson pode nos escrever.

Até a próxima!!

Illinois Fluorspar District – Série "American Mineral Treasures"

ILLINOIS FLUORSPAR DISTRICT

Uma das vitrines mais espetaculares que compuseram a exposição “American Mineral Treasures” no último show de minerais de Tucson abordou o “Illinois Fluorspar District”.

O estado de Illinois foi o mais importante produtor de fluoritas nos Estados Unidos durante a maior parte do século passado. O hábito dos cristais era normalmente cúbico, a cor era azul, amarela ou roxa, e cristais bicolores e/ou zonados eram comuns. Os minerais acessórios mais importantes eram galena, esfalerita, calcita e barita, e mais raramente estroncianita e witherita.

O texto da vitrine (foto abaixo) dizia o seguinte:

” O Distrito de Fluoritas do Illinois tem sido uma famosa fonte de fluorita e de galena desde 1812, embora no princípio apenas a galena era recuperada ( para a produção de chumbo e de prata ). Nos anos 1880’s uma tecnologia nova para a produção de aço começou a ser utilizada, requerendo o uso e fluorita como fundente, o que incentivou a mineração na área. Desde então mais de 200 minas foram abertas, com o coração da atividade mineira sendo localizado durante mitos anos ao redor da cidade de Rosiclare. A partir do final da Primeira Guerra Mundial a região de Cave-in-Rock superou Rosiclare como núcleo principal de produção.

O Distrito liderou a produção norte-americana de fluorita durante os anos 1940’se centenas e milhares de toneladas de excelentes amostras de fluoritas azuis, amarelas ou roxas foram produzidas, muitas das quais de tamanhos e qualidades de museu. A última mina no Distrito encerrou as atividades em 1995.”


Cristais gêmeos ( mas não geminados ) de fluorita roxa, exibindo leve zoneamento de tonalidades de cor, medindo 10 x 6 cm

Cristais cúbicos de fluorita roxa, com cerca de 4 cm de aresta, sobre grupos de cristais menores de fluorita roxa, associados a pequenos cristais de calcita amarela ( dimensões totais – 20 x 10 cm )

Cristal cúbico de galena ( 7 x 4 cm ) sobre grupo de cristais de fluorita roxa ( altura – 11 cm )

Grupo de estalactites de esfalerita marrom-avermelhada escura com incrustações de cristais cúbicos de fluorita roxa – dimensões aproximadas – 25 x 15 cm

Grupo de cristais roxos de fluorita ( dimensões totais 25 x 18 cm ) parcialmente recobertos por grupos de cristais bege de estroncianita e cristais brancos de calcita

Grupo de cristais de fluorita roxa com a forma de uma “caverna”, com 21 cm e altura, exibindo cristais de fluorita tanto na superfície externa como na interna

Grupo de cristais cúbicos ( cerca de 10 cm de aresta ) de fluorita roxa recobertos por pequenos cristais de galena – tamanho total da amostra – 30 x 15 cm

Grupo de cristais cúbicos de fluorita zonada ( predominantemente laranja com fina zona externa arroxeada ), associada a cristais de calcita ( dimensões totais – 9 x 8 cm )

Grupo de cristais de witherita, com 10,6 cm de altura – a witherita, carbonato de bário, é um mineral relativamente raro e as melhores amostras do mundo foram encontrados nesse distrito

Cristal cúbico de fluorita, zonado (roxo na parte externa, amarelo no núcleo), com inclusões de barita ( largura da amostra – 9 cm )


As fotos acima demonstram que esta região produziu as melhores amostras mundiais de fluorita ( considerando-se o tamanho dos cristais, a variedade de cores e a quantidade total de amostras de excepcional qualidade produzidas ) e de witherita; foi também uma excepcional produtora de galenas, estroncianitas e esfaleritas e ainda, como “tempero”, “charme” adicional, cristais de calcita e barita enriquecendo as amostras.

Esta é sem dúvida uma das “Top-50” localidades mundiais de minerais, celeiro inesgotável de maravilhas!

Em breve, mais tesouros do mundo mineral. Até lá!


Série "American Mineral Treasures"

Minerais das Grandes Localidades Americanas

Iniciaremos uma série de artigos sobre a mais espetacular exibição de minerais que já foi feita em qualquer lugar e em qualquer tempo (não é opinião apenas nossa mas também de todos os colecionadores de minerais, comerciantes e cientistas que estiveram presentes no show de minerais de Tucson-2008).

Durante o Tucson Gem and Mineral Show, organizado pela Tucson Gem and Mineral Society (também chamado de “Tucson Main Show”), que se realizou este ano de 14 a 17/02, foram expostas na área nobre do pavilhão de exposições do “Tucson Convention Center” 44 vitrines, contendo a maior parte das mais importantes amostras que foram produzidas nas 44 mais importantes localidades de minerais dos Estados Unidos.

Cada vitrine foi coordenada por uma a quatro pessoas que têm ou tiveram (a maior parte daquelas localidades não se encontra mais em produção) intenso contato com a mesmas, tendo portanto profundo conhecimento do que foi nelas produzido, e que fizeram um precioso trabalho de localizar onde estão as melhores amostras, e fizeram então contato com esses museus e/ou colecionadores particulares e tiveram êxito em convencer a maior parte deles a permitir que essas amostras fossem trazidas para essa exposição.

Além de viabilizar a exposição dessas espetaculares amostras de cada uma dessas 44 localidades cada coordenador/grupo escreveu um texto resumido, que foi exposto juntamente com as peças, bem como um texto mais detalhado, que foi incorporado, juntamente com fotos da maioria das peças expostas, no fantástico livro “American Mineral Treasures”, que foi editado por Gloria A. Staebler e Wendell E. Wilon, Lithographie, LLC (East Hampton, Connecticut).

Iniciaremos a série com a primeira reportagem, sobre o distrito de Hiddenite, North Carolina.

HIDDENITE DISTRICT

Esta foi a mais espetacular vitrine da exposição “American Mineral Treasures”, pois continha o que considero a segunda melhor amostra que eu tive a oportunidade de ver em toda minha vida ( a melhor foi a rubelita “Joninha”, encontrada em 1979 na Lavra do Jonas ): um cristal de esmeralda perfeito, terminado, com ótimo brilho, limpo junto à terminação, medindo 19,5 cm, sobre uma matriz cristais de siderita e de rutilo medindo cerca de 20 x 15 cm; esta amostra foi encontrada em dezembro de 2003 e foi vendida ao Houston Museum of Natural History por um pouco mais de 1 milhão de dólares!; ela talvez seja a melhor amostra de mineral encontrada nos Estados Unidos em todos os tempos!

Além dessa amostra extraordinária, inacreditável, indescritível, havia na vitrine várias outras esmeraldas bem como cristais de hiddenita, que descreveremos mais adiante. O texto da vitrine dizia o seguinte:

“Em 1879 Thomas Alva Edison pediu a William Earl Hidden, de Newark, New Jersey, para ir ao estado da Carolina do Norte para lá prospectar platina, sobre a qual havia rumores de haver sido encontrada em aluviões auríferos da região. Edison esperava que a platina pudesse ser utilizada para a confecção de filamentos para suas recém-inventadas lâmpadas incandescentes.

A procura foi negativa mas, durante sua permanência na região Hidden conheceu J. Adali D. Stephenson, um comerciante próspero e também colecionador de minerais, em Statesville, que lhe mostrou um lote de cristais verdes, o que deu a partida na atípica história da produção de gemas na Carolina do Norte.

Alguns daqueles ‘pregos verdes’, como eram conhecidos pelos fazendeiros locais, foram imediatamente reconhecidos como esmeraldas, mas outros constituíam-se de algo novo, a variedade gemológica verde do espodumênio que foi posteriormente chamada de ‘hiddenita’.

Desde aquela descoberta pioneira o atualmente conhecido como ‘Hiddenite district of Alexander county, North Carolina’ produziu cerca de 50.000 quilates de esmeralda e 5.000 quilates de hiddenita.”

A maior hiddenita na vitrine mede cerca de 8 cm e está mostrada na foto abaixo.

Com relação ao nome “hiddenita” há gemólogos que consideram que deva ser apenas utilizado para os espodumênios cuja cor verde se deva exclusivamente à presença de impurezas de cromo na rede cristalina, o que tornaria Hiddenite a única ocorrência mundial, e a hiddenita talvez a gema mais escassa do mundo ( pois apenas 5000 quilates foram lá produzidos desde 1879 até hoje ). Entretanto, a exemplo do que também ocorre com a esmeralda, o mercado aceita como “hiddenitas” espodumênios de cor verde bem definida, de outras procedências, que se deve a impurezas não de cromo mas de ferro.

Show de Denver 2007 – Vitrine do Museu de Los Angeles, Parte 7

Olá a todos. Após um longo período de ausência devido à nossa participação no Show de Minerais de Tucson, estamos retomando os relatos, finalizando a matéria sober a vitrine que o Museu de História Natural de Los Angeles apresentou no Show de Denver, realizado em setembro do ano passado, e que relatava curiosidades sobre minerais brasileiros. Vejam abaixo os últimos dois minerais apresentados.

BERILO, variedade HELIODORO – Lavra da Serrinha, Medina, Minas Gerais

Trata-se de um cristal hexagonal medindo cerca de 6 x 2 cm, com terminação plana, e com interessantes inclusões tubulares em sua parte superior, próxima à terminação; a foto de dealhe mostra que na base de cada tubo há uma inclusão seja de spessartita ou de muscovita, e o texto explica o porque desses tubos ocos terem se formado.

Heliodoro Heliodoro (detalhe)

Heliodoro (texto em inglês)

Tradução do Texto – A terça parte superior deste cristal de heliodoro exibe internamente tubos verticais ocos, a maioria dos quais se extende até a superfície externa do plano de terminação. Estes tubos são “sombras de crescimento” criados por cristais de spessartita e de muscovita que cresceram sobre a face da terminação quando ela ainda estava numa posição interna e causaram interrupções pontuais durante o subseqüente crescimento do cristal de heliodoro.

DOLOMITA – Brumado, Serra das Éguas, Bahia

Trata-se de um belíssimo cristal geminado com 3 x 2 cm, com um hábito típico daquela mina mas muito raro em outras localidades, e exibindo ainda inclusões de rosetas de hematita, delimitando um “phantom” interno, e minúsculos cristais de anatásio em sua face esquerda.

Dolomita Geminada

Dolomita - texto em inglês

Tradução do Texto – Este incomum geminado de penetração exibe vários ângulos inter-faciais reentrantes onde as faces dos dois cristais geminados se interceptam. Capeamento de dolomita laranja-acastanhada na parte externa de cada lado do geminado dá ao cristal uma aparência de sanduíche. Outros aspectos interessantes incluem camadas de minúsculas rosetas de hematita que criam “phantoms” dentro da dolomita e cristais brilhantes de anatásio em crescimento paralelo ao longo do lado esquerdo do cristal.

Show de Denver 2007 – Vitrine do Museu de Los Angeles, Parte 6

Olá a todos. Vamos hoje comentar sobre duas amostras de topázio imperial que também faziam parte da vitrine que o Museu de História Natural de Los Angeles exibiu destacando curiosidades sobre diversos minerais brasileiros no show de Denver, em setembro último.

TOPÁZIO IMPERIAL – Lavra do Capão, Ouro Preto, Minas Gerais

É um belíssimo cristal, com 8 x 2 cm, exibindo cor roxa.


Tradução do Texto – A cor roxa é a mais rara no topázio imperial. A cor amarela no topázio é causada por centros de cor induzidos por radiação natural enquanto que as cores vermelha, rosa ou roxa são causadas por uma ligeira substituição do alumínio por cromo na estrutura cristalina. A cor laranja a laranja-avermelhada é causada pela combinação dessas duas causas.

TOPÁZIO IMPERIAL – Lavra Caxambu, Ouro Preto, Minas Gerais

Trata-se de uma amostra relativamente rara ( mas não extremamente rara ) em que o topázio está incrustado numa matriz laterítica. O tamanho é cerca de 20 cm, e o cristal de topázio mede cerca de 7 cm.


Tradução do Texto – Em Ouro Preto o topázio imperial é lavrado a partir de veios hidrotermais localizados dentro de hematita-xistos. Os depósitos e as rochas encaixantes são tão fortemente intemperizados e transformados em argila laterítica que normalmente apenas cristais isolados de topázio e de quartzo são recuperados. Este cristal de topázio quebrou-se e deslocou-se como resultado de movimentos da rocha após sua formação.

Ano que vem, tem mais!!

Feliz Ano Novo a todos!!